Design e Expansão dos Sentidos

Design e todos os sentidos (ao mesmo tempo)

O design é uma área imensamente ampla. Apenas dentro da PUC-Rio possuímos habilitação em Comunicação Visual, Projeto de Produto, Mídia Digital e Moda, sendo que dentro de cada e na mistura entre elas as possibilidades de trabalho beiram ao infinito. Com tantas possibilidades de trabalho, também existem diversas formas de se perceber esse trabalho no mundo. Audição, visão, tato, olfato e paladar geralmente não possuem o mesmo destaque: muitas vezes acreditamos que a visão é a única utilizada em um projeto de Comunicação Visual ou Mídia Digital, por exemplo, mas isso não é verdade e todos os cinco sentidos humanos tem presença em projetos de design.

Um exemplo de como nossos sentidos não funcionam de forma avulsa vem do blog no Medium do Microsoft Design. A publicação foca no som dos dispositivos eletrônicos e em como nós assemelhamos o som por muitas outras maneiras do que apenas um sinal auditivo. Com frases como “Nós sentimos o som e escutamos com todo o corpo”, o vídeo passa a ideia geral do artigo.

“O mundo não é uma tela plana; fomos projetados para uma existência mais rica.”

Matthew Bennett diz que a era digital é visual, explorada majoritariamente com os olhos, que recebem uma quantidade gigante de informações das nossas telas. Entretanto, os olhos sozinhos enxergam apenas a superfície das coisas, e o mundo digital, quando acompanhado dos outros sentidos, tem muito mais para ser visto. Ele continua, dizendo que ao depositar toda a experiência do design digital na visão é gerado um desequilíbrio sensorial, que mais tarde é refletido em nós, usuários, no formato de um desequilíbrio emocional. Para resolver essa disparidade, Bennett defende o uso dos sons, pois “som é sentimento” e nos ajudaria inclusive a sentir texturas no meio digital.

Nas últimas duas décadas, o som nas interfaces assumiu principalmente o papel de alertas, como alarmes e mensagens de erro. Isso ocorreu por limites técnicos e também pois ainda hoje é um hábito comum não pensar o som da interface em conjunto com o seu visual.

Quem não reconhece o som de erro do Windows XP como um dos sons mais marcantes desse sistema?

Agora veja esse vídeo com a evolução dos sons de erro do Windows, para ver como ele surge como um som curto e agudo até o Windows 10, que assumiu um tom mais lento e natural.

Nesse caso, é possível perceber como que o som deixa de ser utilizado como algo de alerta, um erro chamativo e irritante para algo mais natural e aliado a interface visual. Assim, ele cumpre seu objetivo na experiência, sem irritar o usuário, principalmente se formos pensar em um mundo repleto de poluição sonora, em que cada aplicativo no seu celular fica emitindo um alerta mais chamativo do que o outro na vaga tentativa de capturar a sua atenção, que já está dispersa entre vários outros sons. Nessa luta pelo som mais irritante, chamativo e alerta, muitas vezes quem ganha a briga - e a sua atenção - é exatamente aquele mais tranquilo e integrado a interface.

Postado em: 04/09/2020